"Fica apenas o exemplo das nacionalizações, o caminho certo para destruir o país e que, só contabilizando a PT, a GALP, a EDP, o BES, o BCP e o BPI, custaria a preços de mercado qualquer coisa como 40 mil milhões de euros. Será que queremos pagar esta factura?"
Deixando de parte a questão da integridade jornalistica no tratamento desta noticia em que se dá conta de uma sondagem eleitoral, concentro-me noutra questão:
Se hipotéticamente (porque não é a realidade) algum partido que concorresse às eleições tivesse a intenção de, na condução da política economica, nacionalizar as instituições a que a noticia faz referência, será que seria mesmo um mau negócio para o estado?
É que se atendermos aos lucros de 2008:
Lucros PT 2008 - 6734 milhões €
Lucros GALP 2008 - 478 milhões €
Lucros EDP 2008 - 1212 milhões €
Lucros BES 2008 - 404 milhões €
Lucros BPI 2008 - 150 milhões €
Lucros BCP 2008 - 201 milhões €
reparamos que o investimento de 40mil milhões para lucros anuais de 9,179 mil milhões significa, na verdade, que em 4 anos e meio está recuperado o investimento.
A verdade é que este é um deslize inaceitável por parte de um jornal que tão bem cumpre a agenda liberal como o Diário Económico: colocar a questão das nacionalizações pela via do défice é fraquinho e não o que se espera de um jornal de referência para a direita.
Permito-me fazer lembrar aos jornalistas do Diário Económico que aquilo que deveriam ter dito era que o estado é mau gestor por natureza porque a afectação de recursos é menos eficiente e que a livre iniciativa e ambiente concorrencial promovem a produtividade e como consequência os baixos preços.
São essas as ideias que tanto tempo levaram a fazer caminho e a transformá-las em dogmas reproduzidos desde as salas de aula até ao telejornal generalista.
É que se por acaso tentarem construir argumentário pela questão do défice e da viabilidade económica desta operação ainda arriscam a que lhes façam uma conta de merciaria como a que foi feita em cima, ou que lhes seja perguntado sobre os preço de venda da GALP a Américo Amorim. Ou porque razão é que todos aqueles lucros não estão a financiar o defice e as políticas de educação, de saúde e de emprego, e porque é que actualmente esse financiamento se faz quase exclusivamente a partir dos impostos que, já agora, os liberais tão pouco prezam e tão baixinho os desejam, por causa da competitividade da economia nacional e tal...
12 de Setembro de 2009
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9 comentários:
Então mas se é para manter os níveis de lucro actuais, para que querem nacionalizar?
Se se pretende subsidiar a restante economia com preços abaixo do nível de mercado, o mais certo é tais instituições baixarem de sobremaneira a sua eficiência e o retorno que geram.
Se quer justificar a nacionalização dessas empresas, não me parece que os lucros actuais das mesmas seja um argumento válido.
Uma política de nacionalizações tem como principal objectivo uma politica pública de preços. É natural que a energia (EDP e GALP) não teriam os preços inflacionados se fossem empresas públicas, uma vez que o objectivo último dessas empresas não seria unicamente a acumulação, como acontece naturalmente com os privados.
Eu apenas analisei do ponto de vista do negócio para o estado, porque é por esse prisma (do fardo do défice para as "gerações futuras") que a noticia trata a questão. E para quem está tão preocupado com o controlo do défice tem que admitir que é mais fácil controlar o défice nos 3% com 1700milhões de euros (lucros GALP + EDP) do que sem eles, como acontecia à meia duzia de anos atrás quando essas empresas eram públicas.
Para quê? Para continuarmos a pagar na mesma uma despesa pública que representa já mais de 40% do PIB e? O que precisamos é de criar condições para termos de facto mercado concorrenciais e mercados mais livres. Num mercado verdadeiramente livre o consumidor é quem manda e não o empresário como muitas vezes se diz.
Se num mercado livre fosse o consumidor a ter o poder e não o empresário o marketing não existiria.
Antes pelo contrário. A existência do marketing só prova o poder do consumidor no mercado. Daí que as empresas afectem tantos recursos a essa faceta do seu negócio. Se o consumidor se deixa levar pelo marketing ao ponto de cometer loucuras como esgotar o planfond do cartão ou tem que pedir crédito para o consumo, isso é outra história. Que eu saiba não existe ainda nenhuma ferramenta de marketing que obrigue o consumidor alvo a comprar.
Quando se confunde lucros com receitas totais (caso da PT, o único que verifiquei), percebo a razão para o título do bolg
Caro anónimo, um erro que não faz perder o sentido do post, o de nos fazer pensar se seria assim tão mau negócio, e que mau negócio foram as privatizações...
Mas caro anónimo, também não revela grande sabedoria não reparar que os restantes valores não têm sentido para serem receitas totais quando comparados com a PT como revela no seu comentário...
Por último, deixo a rectificação das contas, os lucros da PT foram de 581,5 milhões (http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=100109&visual=3&layout=10) portanto os lucros totais destes empresas são 3027 milhões, e em 13 anos o investimento estaria recuperado...continuo a achar, como o meu amigo Zé Miranda que a brincar, a brincar, ainda nos deve fazer pensar...
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