5 de Abril de 2010

"STCP perde passageiros mas melhora contas"

É pelos serviços públicos que também se faz a redistribuição dos recursos. Aqueles bens ou serviços considerados essenciais a que todos, independentemente da condição económica, deveriam poder aceder. É a lógica do utente que deve estar subjacente a um serviço público e não a do cliente ou do utilizador-pagador. Sempre me meteu muita confusão as noticias sobre os prejuízos, por exemplo, nos transportes públicos.

Um olhar atento a esta noticia e acabamos por perceber que os STCP, apesar de terem melhorado as contas, transportam menos gente que o ano passado (111 milhões contra 108) e são essencialmente responsáveis pela quebra global do uso dos transportes públicos na área metropolitana do porto. Apercebemo-nos então que, ao contrário do sentido dado à noticia e ao contrário do que pensa a administração dos STCP que considera ter sido um “grande ano”, na verdade a STCP faz um serviço de pior qualidade, isto apesar de ter melhorado as contas. É que os critérios para o serviço público não são os das empresas privados – a oferta de um serviço ou a politica de preços não é definida pela sua viabilidade económica e pelo lucro mas por uma série de outros critérios. No caso da STCP um bom serviço público de transportes deverá financiar grande parte do custo do serviço para que seja acessível a toda a gente, deve ter carreiras para zonas interiores mesmo que eventualmente não seja lucrativo (Lavra a 8 km do Porto não tem carreiras da STCP), no sentido de promover o uso dos transportes colectivos que comporta benefícios ambientais, a nível do tráfego e ruído e da qualidade de vida das populações.

Os prejuízos da STCP devem ser pagos por todos e não pelos utentes e os 300 milhões de euros de endividamento não deverão ser cobertos pelo aumento do preço dos bilhetes nem pelo cancelamente de carreiras.

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