7 de Maio de 2010

Teorias...

Começo por elogiar o excelente trabalho do Nuno Teles, dos Ladrões, nos artigos que tem lançado acerca da "nova" crise que nos assola. (I, II, III, IV, V, VI, VII).

Nestes artigos dei-me conta de algo em que por acaso nunca tinha pensado e que é revelador do enquadramento teórico que envolve as instituições da economia.

Sabia já que o BCE não podia comprar títulos de divida soberana dos Estados europeus, ou seja, os défices não podiam ser financiados por emissão monetária, tendo então de se financiar nos mercados financeiros internacionais, a instituições privadas.

O que eu nunca me tinha lembrado é que, se estas instituições financeiras privadas se podem financiar junto do BCE, este acaba por financiar indirectamente os Estados. A pergunta rápida então é: qual a diferença?Porque é que o BCE pode financiar instituições financeiras privadas e não os Estados, se depois o dinheiro vai ter aos Estados de forma indirecta?

Obviamente que a resposta não é assim tão difícil: o argumento é a da promiscuidade, de que os Estados iam "abusar da festa" ao ritmo dos ciclos eleitorais. Assim, tendo o dinheiro de passar pelas instituições privadas, moderam-se os Estados e a sua "ganância por poder" fica controlada.

No que isso é revelador, é no facto de que só tem efectividade se partirmos do princípio que os mercados financeiros são racionais. Só acreditando que as instituições financeiras que são intermediárias entre o BCE e os Estados funcionam de forma racional e tendente para o equilibrio.

O que esta crise mostra é que não existe qualquer lógica de equilibrio ou de racionalidade nos mercados financeiros. A finança vai e vem conforme o vento e se tiver de destruir tudo pelo seu caminho, ela destrói.

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