13 de Junho de 2010

Debatendo a crise

O capitalismo financeiro não entrou em colapso. Apesar de ser por demais evidente que existiram condições institucionais que favoreceram a especulação financeira até à ruptura, que a estabilização dos mercados foi feita à custa dos Estados (de défices orçamentais e da divida pública) e que o prejuízo não se ficou pelas massivas injecções de capital mas também na crise que se abateu sobre a economia real (e que exigia respostas politicas de emprego que compensassem a falta de investimento privado que em geral não apareceram), apesar de tudo isso não houve vontade para que o quadro das politicas económicas se alterasse. Mantêm-se as mesmas opções assentes nos mesmos dogmas e os mesmos desenhos institucionais que nos trouxeram a crise e que não nos permitem sair dela.

E de toda a possibilidade de debate público que a crise gerou em torno das suas causas e soluções, surpreende sobretudo que esse debate (que em larga escala ainda é essencialmente mediado pelos meios tradicionais, blogosfera ainda vai sendo relativamente irrelevante perante a TV ou o jornal) não nos tenha trazido nada de novo e que até tenha servido para reforçar duas tendências que já vêm de trás:

- por um lado, verifica-se uma amplificação/multiplicação do debate económico exactamente sobre os mesmos moldes desiguais em que assenta, seguindo sempre os mesmos cânones, com os mesmos “opinion makers” do costume e sem espaço para as correntes de pensamento critico. Nas ruínas da crise, a agenda liberal, totalmente dominante, vê alargar o seu auditório para explicar que os problemas estão na falta de competitividade da economia que limita as exportações e que deriva directamente da rigidez do mercado laboral, ou que um défice orçamental nulo como é condição essencial para o crescimento (eliminando qualquer hipótese de investimento público de qualquer ordem, muito menos a hipótese de uma politica para o emprego por parte do Estado), ou ainda para colocar falsas questões (como Daniel Bessa que coloca a privatização da saúde e do ensino como uma inevitabilidade para que não haja despedimento de trabalhadores da função pública; ou como na discussão da redução dos salários dos políticos) que cumprem muito bem a agenda de quem não quer observar a desigual repartição dos custos da crise (essencialmente sobre o trabalho), nem reflectir sobre as escolhas passadas que nos trouxeram os problemas presentes.

- por outro, a eleição/hegemonia da Economia e do pensamento económico como técnica privilegiada e única capaz de nos oferecer uma leitura clarificadora sobre os acontecimentos (económicos e políticos), confinando o âmbito da discussão pública sobre a crise às questões de foro económico, limitando dessa forma o leque de oradores aos “peritos” que estão legitimados para falar sobre economia (e portanto sobre a crise); fortalecendo, assim, a Economia da inevitabilidade ou, se quisermos, a Economia que não admite a possibilidade (outras) escolhas, enfim, reforçando a Economia que está contra a Politica.

1 comentários:

picanochao disse...

CARO SR. ZÉ MIRANDA, NA MINHA OPINIÃO, NÓS VIVEMOS EM "DITADURA ECONÓMICA"... COMO PODE O MÁRIO SOARES FAZER AFIRMAÇÕES, COMO AS QUE FEZ, ONTEM NO "EXPRESSO", QUE COMO SABE É TAMBÉM, UM PASQUIM DO CALIFADO, SE ELE, É UM DOS GRANDES RESPONSÁVEIS PELA SITUAÇÃO EM QUE NOS ENCONTRAMOS? FOI ELE,MAIS O GANG DA ARGÉLIA QUE INSISTIRAM EM LEVAR-NOS,PARA ESTA ENGANAÇÃO DA EUROPA... QUE SABE BRUXELAS, SOBRE A NOSSA CULTURA? COMO OUSAM ELES PROIBIREM-ME DE COMER ARROZ DE CABIDELA, NUM LUSITANO RESTAURANTE? ELES PERCEBEM É DE MOLESTAR SEXUALMENTE CRIANÇAS E OUTRAS DEVASSAS... EU SOU LUSITANO... PRIMEIRO PORTUGAL... MESMO CORRENDO O RISCO DE O SR. NÃO PUBLICAR, O MEU COMENTÁRIO, EU DIGO-LHE... JULGAMENTO EM PRAÇA PÚBLICA DESSA QUADRILHA QUE NOS DESGOVERNA, HÁ MAIS DE TRINTA ANOS... PARA MIM , JÁ CHEGA...