(...) a voz da razão diz-nos que subsiste um forte risco de recessão ou, pelo menos, estagnação prolongada. Alerta-nos para a necessidade de os apoios às economias não serem retirados enquanto a procura privada não reanimar. Faz-nos ver que nem todas as dívidas poderão ser pagas. Recomenda, por isso, a renegociação internacional das dívidas e a aceitação de níveis de inflação um pouco mais elevados como forma de desvalorizá-las. Sugere um empenhamento na eliminação dos excedentes persistentes pelo menos tão grande como aquele que é dirigido contra os défices persistentes. "Last but not least", recomenda a aceleração das reformas das instituições financeiras e do seu funcionamento.João Pinto e Castro, Jornal de Negócios.
A estagnação da economia é, em parte, consequência da força da moeda única (...)João Ferreira do Amaral, Jornal de Negócios.
A Europa caminha na direcção errada. Ao adoptar a moeda única, os países membros da zona do euro renunciaram a dois instrumentos de política: as taxas de câmbio e as taxas de juro. Tinha que se encontrar alguma coisa que lhes permitisse adaptarem-se à conjuntura quando necessário. Tanto mais que Bruxelas não foi suficientemente longe na regulação dos mercados, achando que eles eram omnipotentes. Mas a União Europeia (UE) não previu nada nesse sentido. E agora quer um plano coordenado de austeridade. Se continuar nessa via, caminha para o desastre. Sabemos, desde a Grande Depressão dos anos 1930, que não é isto que se deve fazer.Joseph Stiglitz, Le Monde.
O BCE tem de cometer a heresia de imprimir moeda e cair na tentação de inflacionar a economia. Temos de ser pragmáticos, tirar todas as palas dos olhos e do pensamento e aplicar as melhores soluções mesmo que sejam uma heresia monetária. A crise que vivemos é demasiado perigosa, é tóxica, sim, mas porque ameaça os pilares que garantiram a paz europeia durante mais de meio século.
Helena Garrido, Jornal de Negócios.
Faria mais sentido que os países da UE se coordenassem numa estratégia de saída gradual da crise, em vez de aderirem a uma estratégia de austeridade que se arrisca a aumentar a probabilidade de incumprimento.Ricardo Paes Mamede, Sol.

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